Poemas

   

(CIRANDA POÉTICA)

Com início espontâneo através da publicação do texto da Equipe de Redação do Momento Espírita

pela  A ERA DO ESPÍRITO

no grupo [Estudos Espíritas],

intitulado < MENINO DE RUA >

Equipe de Redaçao do Momento Espírita

Maria Regina Moura Ribeiro

Gui Oliva

Silvane Saboia

Alceu Sebastião Costa

Marcial Salaverry

Margaret Pelicano

Sá de Freitas

Manuel Jorge Monteiro de Lima

Mercilia Rodrigues

faffi / Silvia Giovatto

Eugénio de Sá

Belvedere Bruno

Michèle (imagem com texto)

Laerte da Silva (Comentário)

 

CIRANDA POÉTICA com o tema - Menino de Rua

 
 

 

MENINO DE RUA

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Quando você passa e vê um menino de rua, pense um pouco: e se fosse seu filho?

 

Quando você o olha e chama de pivete, pergunte-se se gostaria que alguém assim chamasse seu filho. Com certeza, você dirá que seu filho está bem protegido e cuidado, em sua casa. Que você não o deixa perambulando a esmo pelas ruas da vida. E tem razão.

 

Você é um pai consciente e amoroso. E esse garoto que passa, descuidado e sujo, não tem quem se interesse de verdade por ele.

 

Pense que talvez ele esteja nas ruas, porque embora toda a violência que elas apresentam, ainda são melhores do que ele conheceu um dia por lar ou família.

 

Você abraça e beija seu filho todas as manhãs. Talvez esse menino não tenha recebido outros cumprimentos que palavras rudes e gestos agressivos.

 

Também é possível que seus pais o tenham largado à própria sorte, por ser ele muito rebelde. Ainda assim, pense que, apesar de todas as mal-criações de seu filho, as travessuras, você não o coloca para fora de casa. Antes, insiste para que ele se adapte à disciplina e às normas que você estabelece como adequadas.

 

Esta é a grande diferença entre esse menino malcriado da rua e seu filho: o investimento da ternura, a disciplina do amor.

 

À noite, antes de se recolher, você adentra o quarto de seu filho e o vai beijar. Com carinho, ajeita-lhe as cobertas, cobrindo-o, a fim de que ele não se resfrie, nas noites invernosas.

 

Esse outro, filho das ruas, não tem sequer uma coberta. Muito menos quem o cubra. Seu colchão é a grama dos jardins ou as pedras das calçadas. O único cobertor que recebe é do sereno que o envolve, à medida que a madrugada avança, fria e quieta.

 

Quando seu filho apronta das suas, você o chama e enquanto o fixa nos olhos, passa-lhe as lições dos reais valores, dizendo com todas as letras o que você espera dele: que se transforme em um homem de bem, responsável e cônscio de seus deveres.

 

Esse outro, menino desleixado e solto, ganha braços fortes de estranhos que o detém, na sua insânia. E enquanto se debate, tentando se libertar, somente ouve palavras que reprisam exatamente o que ele não gostaria de ser: vagabundo, sem–vergonha, ladrão.

 

Pense: o seu filho tem todas as oportunidades de se tornar um cidadão honrado, que brinde a sociedade com suas boas obras. Esse outro, possivelmente, se transformará no celerado que a sociedade abominará, e para o qual somente indicará o encarceramento, a fim de se sentir, ela própria, mais segura.

 

Pense: se você não existisse, pai consciente e responsável, seu filho poderia estar nas ruas, em idênticas condições. Se você não investisse nele todo seu cuidado, ele poderia estar engrossando as fileiras desses que passam por você, todos os dias, enquanto você dirige para o trabalho ou anda pelas avenidas.

 

Poderia ser o “flanelinha” que no sinaleiro tenta limpar o pára-brisa de seu carro, em troca de algumas moedas. Poderia ser o menino sem educação, que solta palavrões quando você não lhe oferece nada, e ele espera tanto.

 

Poderia ser seu filho... Pense nisso e faça alguma coisa. Colabore com as instituições que se esmeram em criar lares de acolhimento para essas crianças sem lar.

 

Ofereça-se como voluntário para ensinar um esporte, uma atividade produtiva.

 

E, se você achar que não dispõe de recursos amoedados ou de tempo para colaborar, doe seu olhar de compreensão, a próxima vez que se deparar com um desses meninos, pivetes, “cheiradores” de cola, filhos de ninguém.

 

Deixe de olhar para ele como um inimigo. Ele é também filho de Deus e espera da vida o que todos esperam: alegria, amor, oportunidade.

 

Ah, se alguém o pudesse ajudar...

 

 * * *

 

 Todo ser que renasce na terra traz o compromisso do crescimento para a luz.

 

Alguns renascem como aves sem ninho, jogadas ao vento dos dias tormentosos. Certamente, tudo está no quadro das suas expiações e resgates.

 

Mas, se Deus, às aves do céu providencia alimento, que não espera que seus filhos façam aos seus irmãos, na carne?

 

Pense nisso, na próxima vez que o seu olhar deparar com um garoto de rua, triste e solitário, à espera de que alguém descubra nele o espírito imortal que é, e realize ali o seu investimento de amor.

 

Equipe de Redação do Momento Espírita.

 

 

 

MENINO DE RUA

Maria Regina Moura Ribeiro

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Menino de Rua,
que vida triste tu levas.
Quem te ama, quem te acaricia?
Sei que pensas que a tua vida deveria ser diferente.
Eu também acho isso e vou tentar fazer alguma coisa...
Aliás, estou tentando te ajudar,
mas quem precisa de ajuda sou eu.
Ontem, eu te vi junto com tua mãe.
Fiquei com inveja do abraço apertado e do beijo estalado.
Ela te olhava com tanto carinho que meus olhos marejaram,
ao lembrar-me que isso não existia na minha casa.
Vivia só no meu mundo de fantasia,
pensando que "uma andorinha não faz verão".
Mas, neste momento,
acredito que duas andorinhas deveriam tentar...
Será que juntos, poderíamos nossas vidas melhorar?

 

São Paulo, 22 de agosto de 2005

(ciranda organizada por Alberto Peirano)

 

 

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Anjo  do abandono
Gui Oliva 
 
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Ele vive nas calçadas do abandono,
a fome a lhe atormentar com dor aguda
o frio cortando a alma já tão rota,
a solidão embalando-lhe o sono.
 
Não teve a chance de uma escola,
subtraíram-lhe a folia de uma infância,
seu horizonte agora é cheirar cola,
negaram-lhe o direito: um dia ser criança!
 
Prostituem-lhe o corpo já exausto,
em frangalhos pelo trabalho escravo sua lida,
os céus só alcança na droga... como um avião
ou quando uma bala perdida alcança a tosca vida.
 
Versejo a dor do encontro
cotidiano com essa realidade
desses anjos... milhões de anjos que...
 
*"nascem já sem esperanças
são anjos rotos, indefesos, maltrapilhos,
não conseguem nem ser filhos
e não podem ser crianças"
 
Mas indago a mim mesma
o que fiz eu? o que faço
além de chorar em versos
pelos cantos?
o que posso fazer
para transformar e alterar,
pelo menos no Brasil,
e em todos seus recantos,
enxergando de uma vez
toda a crua verdade?
que é por conta deste modelo
capitalista e consumista,
que produzimos esta tão injusta
quanto cruel sociedade. 

 

* excerto do poema "Anjos das Calçadas"
do Poeta  Nilo Entholzer Ferreira
meu saudoso irmão

 

* * *

 

Menina de rua
 Silvane Saboia

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Sol pelas calçadas.
A menina arrasta seu destino
amassado pelas ruas.
Olhar baixo
tanto sol
e ela nem nota a beleza do dia.
Um carro passa veloz
e suja de lama ainda mais
sua agonia.

 

* * *

 

A ESQUINA

E A SUA DOUTRINA

Alceu Sebastião Costa
27 de março de 2007.

 
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O sonho daquela menina não vai além da esquina.
Na esquina nasceu... a morte a esqueceu...
Então, sobrevive. Na esquina. Estatura pequenina.
Debaixo da chuva fina, com requebros,
lá vai ela.
Cintura fina, sonha ser cinderela. Até reza...
Na capela, miúda como ela, na tal esquina...
Que a viu nascer, a vê crescer e o pouco lhe ensina.
Leal à doutrina, preservativo ela abomina.
Hoje, inocente, continua sonhando com o sapato de cristal.
Muita pimenta e pouco sal.
Amanhã, provável e infelizmente,
 A manchete no jornal:
MORRE DE AIDS, NA VELHA ESQUINA,
ONDE SEMPRE VIVEU,
A PROSTITUTA “CINDERELA-MENINA”.

 

* * *

 

DESEJO APENAS QUE...
Marcial Salaverry
  
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Que não mais existam meninos de rua,
seja responsabilidade minha ou tua...
Que pais não mais rejeitem filhos,
nem filhos abandonem seus lares...
Que haja mais responsabilidade,
e haja nos lares mais felicidade...
Que os Direitos Humanos,
não sejam meros enganos...
Que exista respeito
ao Estatuto da Criança e do Adolescente,
para que possa ser um adulto decente...
Que os idosos sejam respeitados,
e não mais pelos jovens ridicularizados...
Que seus direitos sejam observados...
Que possam andar sem serem derrubados...
Que possam receber no Banco, sem serem assaltados...
Que as "pessoas especiais" possam viver em paz,
sem receber a pecha de incapaz...
Que tenham seu lugar no mundo,
ao invés de apenas um canto imundo...
Que todos possam viver, enfim...
E não apenas aguardar um triste fim...
E a problemática é iniciada,
com a triste infancia abandonada...

 

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Prostituição Infantil
Margaret Pelicano

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Que será do meu Brasil?
Em cada esquina de uma cidade grande
nesse céu cor de anil,
nessa terra em que se plantando tudo dá
surgem grandes grupos de meninas e meninos
achando uma maravilha zoar
rir, brincar...
e bastante natural....se prostituir,
...se destruir...

 

Não vejo ações concretas

dos governos municipais, estaduais

FEDERAIS!
Para essa situação minimizar!
Observo poetas, imprensa, escritores
sempre a gritar, a denunciar!
Pastorais, religiosos a tentar minimizar...
Qual será o interesse dos poderosos
em deixar essa situação continuar?

 

* * *

 

MENINO DE RUA
Sá de Freitas
 
Menino de rua que anda sem rumo,
Sem paz, sem sapatos, sem banho, sem teto,
E traz no olhar, da miséria, o resumo,
Carente de amor, de agasalho e de afeto.
 
Não sente o calor de um abraço fraterno,
Tão pouco o sorriso de um pai carinhoso...
Talvez nem se lembre do rosto materno,
Que nunca lhe deu um sorriso amoroso.
 
Jornais são seu leito; a lâmpada: a lua...
E deita-se se triste com a mente na rua,
Pensando somente em estender sua mão...
 
E embora açoitado, sem dó, pelo vento,
Ressona,  trazendo no seu pensamento,
O SONHO EM GANHAR UM PEDAÇO DE PÃO.

 

* * *

 

Menino de rua

Manuel Jorge Monteiro de Lima
 

No abandono de si
Pelas ruas ao dará
Solidão, às vezes ri
Da vida, que a vida dá.

 

Tem estrelas por coberta,
Numa abstração do firmamento,
Uma lata, entreaberta,
De droga, seu alimento.


De que adianta mais um verso
De um grito que nos encrua.
Movimento incontroverso,
Quando os tiramos da rua?

 

Pra lhes dar educação
Alimento e uma cama,
Tira-los da prostituição
da vileza que os engana.


Em casa temos um cão,
Um gato, todo conforto,
Pro menino, apenas um órfão,
Nem um pedaço de pão.

 

E que fazemos nós poetas
Pra esse mundo de adversos?
Muitas tretas, muitas tretas,
Apenas fazemos versos.

 

Alphaville,17 de janeiro de 2008

 

* * *

 

MOLEQUE
Mercilia Rodrigues
mercilia.rodrigues@terra.com.br

 

Moleque de rua, arteiro !
Que vive de pé no chão
Traz o olhar zombeteiro
Boca com palavrão
Mostra, moleque safado,
O que te faz diferente,
Este teu corpo danado
Ou teu sorriso sem dente ?
- É noite pra ti ..
Pra mim é dia ...
O manto escuro que me acoberta,
Permite a mim arrelias .
Sou a fome que te bate à porta,
Sou a obra do descuido teu !
Encho minha boca de palavras tortas,
Roubo-te o pão que não era meu.
Desgraça pouca não é valentia,
Não tenho braços pra me aquecer.
Sou a consciência de tua covardia,
Saber que existo sem me atender.
De dia durmo e não vejo a hora.
E rico sou, por estar vivendo...
Não ver a mãe  que lá se foi embora
E o pai de dor, aos poucos foi morrendo.
Do mundo sou a folha errante,
Jogada ao vento pelos sopros teus
Jornal da noite sem um assinante
Sou moleque, teu irmão em Deus!

 

* * *

 

Menino de rua
faffi / Silvia Giovatto
21/01/08
 
Em cada esquina, em cada semáforo
tem sempre uma criança esquecida
pela sorte da vida.
Família, quem sabe...
pais ignorados ou ainda drogados
essas crianças carregam na lembrança.
Doutor me dá um dinheiro,
eu tenho fome, eu tenho sede..
mas a sede maior é aquela
que seus olhinhos mostram,
a sede da justiça, e da esperança
de um dia ter um lar.
Menino de rua,
você não sabe a tristeza que sinto
em não poder te ajudar...
Hoje posso até matar a sua fome,
e amanhã...
em qual esquina você vai estar?
Missão de Deus, destino,
que nome podemos dar a esse menino...
que sofre calado enquanto estende a mão
pedindo um trocado...
Será que um dia vamos ter nesse mundo
uma igualdade social?
Não acredito em milagres,
acredito sim em uma administração diferenciada,
em um governo justo e honrado, acredito no amor
e só o amor aos nossos semelhantes  poderá
fazer do nosso mundo... um mundo melhor.
Menino, junte suas mãos e reze comigo
para esse dia chegar antes que você se aborreça
e vire um drogado.

 

* * * 

 

Menino da rua
Eugénio de Sá
 
Sobrevive num canto, numa enxerga
Dum muceque qualquer, de qualquer parte
E a revolta c’o mundo não o verga
À vontade que o quer como um descarte
 
Menino que perdeste todo o viço
Quem foi que te matou as ilusões?
Quem se esqueceu que és um compromisso
Se tantos como tu são multidões?
 
Pobre menino nem sabes que o pó
Que te dão pra vender não é mais nada
Que o carrego da cruz na tua estrada
 
Da rua vens e nela tu arrastas
Ajudado de longe p’lo sorriso
D’ inimputáveis, a quem lhes és preciso

 

* * *

 

O MENINO DE RUA
Belvedere Bruno
 

Já estava acostumada com a alegria de João Marcelo, o menino de rua. Conheci-o com a perna envolta em ataduras. Perguntei o que acontecera com ele. Explicou detalhadamente que no carnaval havia sido atropelado por uma madame na Praia de Icaraí, e ela sequer prestou socorro. Tinha testemunhas e o caso estava lá na polícia, dizia com ar sério.

 

Ver João Marcelo, ouvir sua histórias, era um momento de encanto para mim. Diariamente, eu dava uns trocados para seu lanche e perguntava a razão de a perna não curar. Quis que ele viesse aqui em casa, para que eu visse os machucados sem as ataduras, mas ele disse que o doutor não iria gostar nada, e desconversou. Ficamos nessa uns quatro meses.

 

Certo dia, quando voltava da academia de ginástica, encontrei Dona Zildinha, que era assistida no trabalho voluntário que eu fazia lá no centro comunitário. Ela estava catando lixo e, quando me viu, correu ao meu encontro, me beijando e abraçando. Viu João Marcelo que, no exato momento, passava com um misto-quente e uma coca-cola. Então, ela gritou: "João Marcelo, o que te aconteceu, menino de Deus?" E ele seguiu, não a olhou. Contei a ela a história. Zildinha começou a rir... ria sem parar. Ainda chamou mais duas amigas que, como ela, catavam lixo, e elas começaram a rir também. Eu, com cara de apatetada. Por fim, me diz que João Marcelo é vizinho dela e não tem nada. Cheio de saúde! Ela o vê diariamente sem nada na perna. Certamente, ele faz isso ao descer o morro.

 

Nunca mais vi o menino depois desse dia... Lembro-me dele, das suas invencionices, da sua alegria...

 

Saudade de João Marcelo!

 

* * * 

 

COMENTÁRIO

Elio,
 
Que tema lindo é esse, menino?  Li, com calma e com o carinho que merece a Era do Espírito, todas as poesias e também a prosa final, de autoria do Belvedere Bruno, tratando das peraltices do João Marcelo, sabido como ele só. Poemas lindos, preocupantes na sua essência, pelo pouco que fazemos pela saúde e pela vida atual e futura dessas crianças. Não acho que a responsabilidade dessas ações seja tão somente do Poder Público. É claro que ele, gerenciador dos recursos que lhes passamos, sob a forma de tributos os mais diversos, com a estrutura que possui, deveria ser o grande responsável pelo acolhimento dessas crianças e pela preservação de um futuro digno para elas. Mas o Poder Público, como se sabe, tem outros interesses, além desses, que vão da simples briga pelo poder, por cargos e por status, ao enriquecimento fácil e rápido dos seus titulares. Claro que esse assunto é polêmico e gente haverá que nada disso é verdadeiro. Mas, esquecendo o Poder Público, cabe a nós, enquanto pessoas, ativas nas nossas comunidades, integrantes de Clubes de Serviço, membros de Associações de Amigos de Bairros, e de outras associações igualmente influentes e importantes, colaborar para minimizar esse estado de coisas. Não podemos, isso sim, FICAR OMISSOS. Cada um de nós, em nossas áreas de atuação, temos o DEVER DE AJUDAR. Devemos fazer parte de Conselhos Municipais da Criança e do Adolescente, Conselhos Municipais, Estaduais ou Federais Antidrogas... Devemos brigar por diretorias em APAEs, em Creches, Sindicatos e outros órgãos afins, buscando direcionar parte de seus objetivos para o acompanhamento da assistência às crianças e aos adolescentes. E, se ainda sobrar tempo, para ajudar entidades que cuidam dos idosos, que são, em muitos casos, desassistidos, pela falta de parentes próximos ou pela falta de parentes que, mesmo próximos, não querem deles cuidar. Desculpe-me pela extensão dos comentários, mas precisamos evitar a tristeza que manifestou o poeta Manuel Jorge Monteiro de Lima no final de seu poema:

 
E que fazemos nós poetas
Pra esse mundo de adversos?
Muitas tretas, muitas tretas,
Apenas fazemos versos.

 
E não é isso que queremos, não é? Devemos ser úteis, isso sim. Indiferentes, jamais...
 
Laerte