Poemas

 

 

Versejando na Madrugada

Grupo

Porto de Luz

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Fellipe Ernesto
Elio Mollo

Marcial Salaverry

Gui Oliva

Margaret Pelicano

Maria Regina Moura Ribeiro
Belvedere Bruno
Mercília Rodrigues
Humberto Rodrigues Neto

 

TEMA SOBRE A SOLIDÃO

 
 

 

Solidão
Fellipe Ernesto
 
Vivi às esperas, com o coração doentio.
Doía tanto que perfurava o pensamento.
Enquanto doía na saudade dum lamento,
Acreditei que a vida estava por um fio.
 
Planejamos a companhia imortal,
mas quando foi embora, durei a acostumar.
Encolhia meu peito, ao tentar disfarçar
esse desgaste incessante que faz mal.
 
Estou na solidão que me comprime
Distribuindo sorrisos, mesmo solitário.
Sinto-me culpado, errado, mas sublime.
E embora sozinho, estou tranqüilo e hilário.
 
Estou aprendendo... aprendi.
Não sei se é verdade... disfarço.
Logo não fazes falta... esqueci.
Vejo cartas suas... amasso.
 

* * *


A SOLIDÃO
Elio Mollo
 
Solidão, insulamento
é sentir só
num determinado momento
mas que pode durar
e se tonar um sofrimento.
 
A pior da solidão
é a que sentimos
quando estamos
em meio à multidão.
 
Mas como a evolução
Necessita de toda construção
Edificar junto à solidão
Também, pode fazer bem ao coração.
 
Não há lugar especial
em que haja a comunicação total
Então, ao invés de palavras
usemos a participação mental.
 
Solidão, tu és cruel
Quando chegas com o teu fel (*)
mas és bondosa
quando nos oferece
o tempo, para uma prece.
 

26 jun 2007
 
(*) Amargor

 

* * *

 

SOLITÁRIA SOLIDÃO
Marcial Salaverry


Querendo curtir um bom momento, somente
num lugar bem cheio de gente...
acaba-se descobrindo a monotonia,
de muita gente com a vida vazia
Existem pessoas carentes de amor,
procurando alguma coisa... seja lá o que for...
Podem mesmo estar com a vida em amargor,
por vezes com a alma cheia de rancor,
e ficam mergulhados nesta triste voragem,
ao invés de procurar outra paragem,
buscando o refúgio do amor,
e sentir esse seu possivel calor...
Deixe os pensamentos simplesmente voar,
tomar rumos desconhecidos... flutuar...
A vida não se modifica,
se ela não se complica...
E assim, pensando como a vida
deve ser vivida,
Sonhamos com viagens,
que nos levem a outras paragens,
talvez em lugares de menos gente, quase selvagens...
onde possamos nos entregar ao amor, em doces passagens...
Assim é a natureza humana...
Não sabe extrair a beleza que da vida emana...
Reconhecendo nossa fragilidade,
encarando-a com sinceridade,
buscamos fugir da cruel verdade,
e nessa fuga... buscamos a felicidade...
E em meio à natureza maravilhosa,
que possibilita uma existência gostosa,
mesmo que nos pareça morosa,
podemos fazer a vida amorosa...
Sempre existirá gente sofrendo,
pessoas morrendo,
sem contar com o sentimento da solidariedade,
sem nada que lhe possa trazer a perdida felicidade...


* * *

 

SOLIDÃO
Gui Oliva

 

A solidão que se instala
é presença que se ausenta,
o coração  então  tenta
preencher esse vazio,

 

fingindo que nada sente,
mas a saudade bandida
o deixa  por um bom tempo
infeliz e assim dormente.

 

 Chega a solidão inclemente
como  a negação de tudo...

 

É a voz que então se cala,
é o diálogo que estanca
torna o coração um mudo.

 

É um olhar que embaça
abrindo espaço de graça,
 lágrima de amor reprimido.

 

É o gesto não realizado,
o afago não mais dado,
o carinho já esquecido.

 

Novembro/2007


* * *

ESTOU SÓ
Margaret Pelicano

 

A solidão me ronda,
parece doença incurável,
mesmo em meio à multidão,
sinto-me só, é situação inalterável!

 

Passam-se os dias sem que eu me entenda,
 tendo o sol por estrela guia,
 a lua a me guiar pela mão como prenda,
a chuva a chorar junto comigo as feridas...

 

...e não me consolo, a solidão me ronda,
 não aceito perdas, mas vou pela sombra,
algo me sustenta, mas algo me falta
e a solidão não me larga e me assombra!

 

Brasília

17/11/2007

 

* * *

Um pouco de solidão
de Maria Regina Moura Ribeiro
São Paulo, 10 de outubro de 2007
 
Meu pai disse: muito cuidado
com as coisas  do coração...
E a vida já havia me ensinado
que faz bem, um pouco de solidão

 

* * *

 

 

A solitária
Belvedere Bruno

 

Vivia só...

por companhia, as bromélias,

um gato persa, um cão sem pêlos.

 

Ao lado da cama, numa mesinha,

Santa Clara e um jarrinho com flores naturais.


Hoje não acordou.

Uma  multidão veio a seu portão.

 

Então, uma sábia,

em tom solene, falou:

- Silêncio! Ela está em paz.

Nunca mais se sentirá só.

 

E a multidão foi se dispersando. 

 

* * *

 

SOLIDÃO?
Mercília Rodrigues

mercilia.rodrigues@terra.com.br.

 

Solitude, beleza e majestade!
Difere da pobreza negativa
Da solidão que fere de verdade,
Lacuna, vácuo... falta impositiva.

 

Tempo perdido, neste vazio
O não estar só na multidão?
Temeroso tu neste fastio!
Não vinga o amor o estar na solidão...

 

Nascemos sós, somente sós vivemos!
Buscamos o escapismo dos arrulhos...
Medrosos de nós, envelhecemos,
No vazio de estar só nestes barulhos!

 

A solitude abraça o teu querer.
Penetra fundo em ti os teus conflitos,
Querendo construir a paz no teu viver!
Templo de Deus a socorrer aflitos...

 

Floresce e pacifica nossa vida.
É partilhada a paz como atitude...
Fragrância da leveza... ser florida,
Dignificado o amor na solitude!

 

Tesouro oculto, benção tão divina!
Lucidez no altar de ti se erguerá.
Nascedouro de água cristalina,
Um ser completo em ti encontrarás!

 

* * *

 

SOLIDÃO...
Humberto - Poeta

 

Pra por termo ao que sofri,
resolvi largar de ti,
numa infeliz decisão,
pois mandei embora a fraqueza,
desquitei-me da incerteza,
divorciei-me da tristeza,
mas casei com a solidão!

 

* * *